13 de Janeiro de 2020Júnia Jacinto Lara3 Visto

No Dia Nacional de Luta, empregados fazem atos em defesa da Caixa pública e social

 A Caixa Econômica Federal completou neste domingo (12) 159 anos de existência. No lugar de comemorações e festividades, os empregados lembraram a data com manifestações e protestos em todo o país para cobrar melhores condições de trabalho e para defender a manutenção do caráter 100% público do banco. Convocados pelas entidades representativas, seguindo orientação da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), os atos do Dia Nacional de Luta em Defesa da Caixa foram realizados em 13 de janeiro, nesta segunda-feira, e tiveram como mote nas redes sociais a #ACAIXAÉTODASUA.

Com o propósito de marcar o aniversário de 159 anos do banco, os trabalhadores utilizaram-se de muita criatividade durante atividades nas ruas e agências bancárias das capitais e em algumas cidades do interior. Um contingente expressivo de empregados vestiu a camiseta e portou broches da campanha em defesa da Caixa na lapela de suas roupas.

No Dia de Luta, uma das ações mais concorridas foi o tuitaço com a #diaemdefesadacaixa, ocorrido entre 12h e 14h com forte adesão de bancários. Também, na ocasião, foi distribuída uma Carta Aberta aos empregados e à população, na qual as entidades representativas denunciam toda a nociva estratégia de desmonte imposto pelo atual governo contra a Caixa e outras empresas públicas, com fechamento de unidades, descomissionamentos arbitrários, ataque ao Saúde Caixa e à Funcef, regulamentação da terceirização nas agências, venda de áreas lucrativas como cartões, seguros e loterias e entrega do FGTS para os bancos privados. Assim, o recado a toda a população foi de NÃO ao fatiamento e enfraquecimento da função pública e social da empresa.

“Na data do seu aniversário, celebrado em 12 de janeiro (domingo), a Caixa tem muito a comemorar pelos anos de serviços prestados à população, graças ao seu caráter público e social”, lembra Dionísio Reis, coordenador da CEE/Caixa e diretor da Região Sudeste da Fenae. Ele pondera que é por meio de setores como as loterias, os seguros e os cartões que o banco financia o sonho da casa própria, do acesso à faculdade com o Fies e do crédito mais barato.

“É por intermédio dessas áreas, consideradas as mais rentáveis, que saem os recursos para o Minha Casa Minha Vida, o maior programa habitacional do país. Além disso, parte do dinheiro arrecadado com as loterias é aplicado no esporte, na cultura e na segurança nacional. Com a venda desses setores lucrativos e a retirada do FGTS, o Brasil todo perde”, complementa.

As atividades do Dia Nacional de Luta em Defesa da Caixa ocorreram praticamente em todos os estados. Nas capitais, onde as manifestações tiveram maiores repercussões, o foco foi o diálogo com a sociedade sobre a importância da Caixa como um banco público fundamental para o desenvolvimento econômico e social do país. Há o registro de protestos em Rio Branco (AC), Macapá (AP), Manaus (AM), Maceió (AL), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Vitória (ES), Goiânia (GO), São Luís (MA), Cuiabá (MT), Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG), Belém (PA), João Pessoa (PB), Curitiba (PR), Recife (PE), Teresina (PI), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Florianópolis (SC), Aracaju (SE), São Paulo (SP) e Palmas (TO).

O diálogo com a categoria bancária e com a população sobre a importância da luta pela manutenção da Caixa 100% pública foi o destaque dos protestos realizados na agência Conde da Boa Vista, em Recife. Em muitas cidades, como em Brasília e São Paulo, foi distribuído um bolo enquanto o ato era realizado. Na capital o ato foi em frente à Matriz I e contou ainda com a participação do grupo musical Orquestra de Senhoritas. Já em São Paulo foram realizados atos em agências do Brás e da Penha e os empregados participaram com o uso de camisetas e bottons da Campanha A Caixa é toda sua.

 Em Teresina, o ato em defesa da Caixa e dos bancos públicos ocorreu na agência Conselheiro Saraiva. Em Maceió, Alagoas, o Dia de Luta para reafirmar a campanha em defesa da Caixa foi marcado por ato na agência Catedral. 

O ato em Macapá, no Amapá, teve boa adesão dos empregados e da população. Na ocasião, as entidades representativas defenderam a importância de todos os setores da sociedade reafirmarem o caráter social e público da Caixa. Em BH, em Minas Gerais, a maior concentração foi realizada em frente à agência Santo Agostinho.

Foram também realizadas atividades em algumas cidades do interior espalhadas pelas diversas regiões. Em Londrina, no Paraná, as entidades representativas distribuíram bolo aos clientes e empregados contra a política de privatização que atinge o maior banco público brasileiro. Nessa cidade, houve ainda a distribuição da edição especial do informativo “Nossa Luta”, que destaca a importância da Caixa para o Brasil e para a população mais carente, com ênfase para a mobilização dos empregados com vistas a impedir os ataques aos direitos dos trabalhadores. Ainda em Londrina, após as manifestações na rua, lideranças sindicais e associativas percorreram agências da Caixa no Centro, ocasião em que conversaram com empregados e clientes.

No Rio Grande do Sul, além de Porto Alegre, o movimento foi grande em localidades como Litoral Norte, Novo Hamburgo, Caxias do Sul, Bagé, Chapecó e Cruz Alta. Em todas elas a Fetrafi/RS esteve presente em agências para panfletar e dialogar com clientes e população a respeito da importância da Caixa 100% pública.  

Em Campinas, no interior paulista, as entidades representativas distribuíram Carta Aberta à população e fizeram reuniões na agência Campinas com empregados e clientes.

Dia de Luta: o saldo é positivo

Para Jair Pedro Ferreira, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), a realização do Dia Nacional de Luta em Defesa da Caixa foi muito importante para pressionar a direção do banco contra o desmonte da instituição e contra a retirada de direitos dos empegados. “O saldo das atividades realizadas em todo o país foi positivo”, afirma.

Segundo ele, os protestos do Dia de Luta reivindicaram ainda a revogação de medidas como a Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) e a reestruturação de unidades. “Não vamos aceitar medidas que reduzam a Caixa, diminuem empregos e prejudiquem clientes e população”, conclui.

Sérgio Takemoto, vice-presidente da Fenae, destaca que as atividades do Dia Nacional de Luta em Defesa da Caixa é um sinal claro de que os empregados estão insatisfeitos com a intransigência da direção do banco e dispostos a lutar. “Só assim será possível manter nossos direitos e evitar retrocessos”, sentencia.