08 de Outubro de 2019Cinara Lima15 Visto

Documentário registra relatos de empregados em BH sobre demissões políticas na Caixa em 1991

 

 

Com gravações neste último fim de semana em Belo Horizonte, registradas nos dias 5 e 6 de outubro, a cineasta Maria Augusta Ramos, do filme “O Processo”, colheu depoimentos de empregados da Caixa Econômica Federal para o documentário produzido pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), cujo o propósito é contar a história sobre a demissão política de 110 trabalhadores, durante o governo de Fernando Collor de Mello, em 1991.

As cenas e entrevistas na capital mineira se somam às que foram gravadas em Londrina e em São Paulo e trazem relatos comoventes a respeito dos três meses de mobilização e solidariedade entre os bancários da Caixa que lutaram pela reintegração de colegas, obtida um ano depois da deflagração do movimento, tão logo foi concluído o impeachment de Fernando Collor. Na época, o número de demitidos abrangeu 50 trabalhadores em São Paulo, 30 em Belo Horizonte e outros 30 em Londrina. Um dos atingidos pela medida arbitrária da direção do banco foi Jair Pedro Ferreira, atual presidente da Fenae. 

Na mobilização para reintegrá-los, reivindicação conquistada judicialmente, a Fenae lançou a campanha “Não toque em meu companheiro”. A iniciativa mobilizou 35 mil empregados nas três cidades e culminou com a doação do equivalente a um dia de tíquete-alimentação em favor dos 110 demitidos. Durante o tempo em que ficaram fora do banco, os empregados foram mantidos financeiramente pela solidariedade de seus colegas de trabalho.

Jair Ferreira, que esteve presente nas gravações em BH, assim como nas que ocorreram em territórios paulista e paranaense, fala da emoção de participar da rota das filmagens. “Registrar e contar esses acontecimentos, rever as pessoas, ouvir sobre o que cada um viveu e reafirmar a rede de solidariedade entre trabalhadores de um mesmo banco, o único 100% público do país, são alguns do importante saldo captado pelo documentário”, pontua. Ele lembra que todos esses elementos, somados a muitos outros, foram determinantes para a vitória do movimento.

As filmagens na capital de Minas Gerais foram também acompanhadas por Cardoso, diretor de Administração e Finanças da Fenae. Na ocasião, segundo Jair Ferreira, um dos momentos mais emocionantes foi o reencontro com Laércio Ramalho, um dos demitidos em BH na época, que trabalhava na Caixa na área de habitação popular, mas hoje está fora por ter se aposentado.

“Outro resultado positivo dessa mobilização em prol dos demitidos de 1991 foi o trabalho de entidades como a Fenae, as Apcefs e os sindicatos. Isso permitiu um forte processo de resistência e redundou na reintegração de todos os dispensados”, afirma o presidente da Fenae. E mostra, segundo ele, que a união dos trabalhadores com as entidades representativas é capaz de reverter qualquer situação.

Nas gravações para o documentário, a premiada cineasta Augusta Ramos tem ouvido os novos empregados a respeito do dia a dia na Caixa, sobre os novos dilemas do trabalho no banco, suas perspectivas e sentimentos em relação à mobilização e solidariedade dos empregados de 1991.