10 de Setembro de 2019Cinara Lima41 Visto

Caixa Cultural cancela espetáculo e provoca polêmica

O espetáculo infantil Abrazo, que aconteceria na Caixa Cultural do Recife (PE),  teve suas apresentações canceladas. A peça estava em sua segunda sessão, no último sábado (07), quando foi suspensa a poucos minutos do início e a produção da Caixa devolveu o dinheiro dos ingressos.  Seriam oito apresentações agendadas, até 15 de setembro, mas apenas a primeira sessão foi encenada. Os artistas  do grupo Clowns de Shakespeare acusam o banco público de censura.

O diretor do espetáculo, Marco França, publicou em suas redes sociais que o cancelamento foi um “ato de censura travestida com argumentos jurídicos”. “Vivemos um momento de barbárie no país, onde a verba pública para pesquisa e educação são cortadas, onde livros são censurados, onde artistas estão sendo perseguidos e tendo suas obras censuradas. Não nos calarão. Enquanto houver espaço para falar, estaremos aqui, denunciando”, afirmou.  O espetáculo da companhia Clowns de Shakespeare é baseado no Livro dos Abraços, de Eduardo Galeano, e tem roteiro assinado por César Ferrairo.

O texto fala sobre um país que proíbe demonstrações de afeto e expõe de maneira sutil temas como ditadura, censura e repressão. Segundo os artistas, após a primeira sessão, foi realizada uma roda de conversa com o público, com perguntas de ordem técnica e do conteúdo do espetáculo. “Teoricamente, tudo transcorreu normalmente. Falamos sobre o momento que estamos vivendo no Brasil. Não houve nada fora do contexto”, explicou um dos fundadores da companhia, Fernando Yamamoto, em entrevista ao portal Marco Zero. 

Questionada, a Caixa negou censura e divulgou nota à imprensa informando que ocorreu um descumprimento contratual e por isso cancelou o espetáculo Abrazo, com apresentações programadas no espaço cultural do banco. “A Caixa informa que por descumprimento contratual cancelou o espetáculo Abrazo, com apresentações programadas no espaço cultural do banco. O contrato com o Clowns de Shakespeare foi rescindido, conforme comunicado ao grupo nesta data", diz a nota, publicada pelo UOL.

O presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Jair Pedro Ferreira, pede mais transparência e esclarecimentos do banco. Ele destaca que, como banco público, os recursos investidos na cultura também pertencem ao povo brasileiro. “A Caixa é uma empresa pública, por isso estamos cobrando uma explicação. Se não esclarecer, o fato pode ser interpretado como um movimento de cerceamento da expressão”. Jair destacou ainda que a Fenae sempre defendeu a manifestação cultural como forma de crescimento intelectual da sociedade, por isso o esclarecimento é tão importante.

Com informações do Marco Zero e Uol.